domingo, 17 de julho de 2011

sábado, 3 de janeiro de 2009


Na augusta casa dos Boal
terra de além mar, em Portugal
conspiraram gerações, eu sei...
para cumprir a profecia,
que eu seria mais feliz que o príncípe.

Confesso relutei por temeridade
dizer que sou muito mais que Pedro
que o amor de Ines de Castro teve
longe dos olhos do Rei e do povo
para acabar em tragédia, é verdade.

Por isso em cada canto, em cada aldeia
do Algarve ao Porto, às colinas de Lisboa
ouve esse canto, ó Portugal
que vento leva, vai e entoa, esses versos
à Helena Maria Chaves Boal.

E mais tarde quem sabe me procure a morte
e eu com sorte, possa lhe dizer
do amor que tenho, de verdade
que é infinito em sua essência
e que dura até o fim da eternidade.

Então ouve em todos os cantos, ó Portugal
esse canto que não é fado, não é lamento
é a história de um amor que é giro e bestial

e quanto mais não seja..de puro encantamento.

sábado, 13 de dezembro de 2008

BUMERANGUE


Eu sei que chegou a hora
e esse bolero perdeu o jeito de ser.
Só eu sinto esse amor bumerangue.

Não é tragédia de lágrimas e de sangue
É só amor não entendido
é só amor travestido de ilusão.
é a última visão do vestido amarelo
na tarde do Bogari tão longe,
do cassino e das estrelas bem perto do céu.

Sê generosa !
Dê migalhas de carinho a quem mendiga
Perdão. Sei que as vezes eu me passo
Mas tudo que eu faço é pra chamar sua atenção.
Vou, mas vou infeliz , amargurado enfim...
Porque perdi o melhor da vida
Naquele passado tão presente de nós dois,
Quando fechei a porta atrás de mim .

A GAVETA

No fundo de uma gaveta esquecida
encontrei uma conta perdida
do tempo que fomos felizes.

Mexendo lembranças banais
encontrei também alguns haikais
em tentativas anêmicas de expressão.

um pé de meia furada
uma foto de Londrina meio apagada
de momentos que não voltam mais.

uma lágrima escondida
e uma dor verdadeiramente sentida
de quando a paixão acabou.

fragmentos de carinho
na rolha de uma garrafa de vinho
que bebemos entre os lençóis

e o sol nos esqueceu na cama
e a tarde nos encontrou de pijama
na espera da lua aparecer

Encontrei lá no fundo... saudades
E ainda umas loucas vontades
De viver tudo... mais uma vez.

Londrina 2004

BOTUCATU

Botucatu naqueles tempos, um momento único.
Saudade dos finais de semana cantantes,
onde me encantava com o anjo aos domingos.
Dos amigos passantes e dos ficantes na memória.
Botucatu... nunca será como antes.

Ano 2.000

Ano 2.000
Crianças na rua.
Americanos na lua.
Guerras que surgem
Homens que partem.
Ano 2.000
Astronautas em Marte.

Ano 2.000
Deitado num banco
Sujo em desalinho
Num canto da praça
Faminto de tudo.

- São coisas do mundo !.
1971 – Londrina

O IGAPÓ

O Igapó é só o lago da minha aldeia
que espelha margens de terra vermelha.
Não o vejo como o Tejo que desce de
Espanha e banha Portugal até o mar.
Poucos sabem o que é preciso saber
outros ainda não, mas irão aprender
que existem outros lagos.

O Igapó não tem tempo, subsiste
enquanto a gente passa por suas margens.
Não é preciso navegar e viver não é preciso
para entender que o Igapó é só o que é,
e é só.

IMAGINE

Deixa eu gostar de ti como eu gosto
Não impeça os meus carinhos.
Levante o olhos para os céus
Imagine, materialize o meu abraço
Apertado no teu corpo .
Londrina
Foi um tempo , uma vontade.
Hoje Londrina um passado.
Saudade.
De manhã roubou uma fruta
De tarde assaltou um banco
De noite matou um homem
Na madrugada seu peito aconchegou uma bala.
Agora não tem mais peito
Não tem mais jeito
Não tem mais solução.

PALHAÇO

Há ! Há ! Há!
Risos mil
Lágrimas de risos.
O palhaço caiu.

ANJOS

E onde estão os anjos ?

Acaso lustrando estrelas?
Ou tocando harpas boêmias
no lado escuro da lua.
longe dos olhos de Deus ?

Anjos anárquicos,
contrários a crença geral
Que os anjos são bons.

Anjos não tem vaidades,
não sonham, não amam.
Não protegem os amantes
não sentem saudades.

Afinal
Prá que servem os anjos ?

SONETO DA SAUDADE

Nas entranhas de um coração doente,
o vírus da saudade tudo corrói,
qual cancer que viça e dói
no imenso vazio do sentir carente.

Qual pedra que vai, volta, roda e mói
no amor o ontem é sempre presente
e o triste lamento do amor ausente
a dor do não ter , as ilusões destrói.

Desse mal se aproxima a loucura
quem sofre viverá sempre a procura
do milagre, do santo remédio.

E por ser tão frágil a natureza humana
viver assim um louca paixão insana.
é matar-se de amor ou morrer-se de tédio.

SONETO DA ERUDIÇÃO

Vil punhal que o coração transpassa,
diz ser amor que não mais se usa.
Retrógrado é o que insiste e passa
a fazer versos em louvor a musa.

Nesse tempo de cultura escassa,
o vate que do verso abusa,
por vezes um alexandrino amassa
ao estro pedindo escusa.

Nos meandros da existência
quem porém o verso arrasta
sabe amar com inteligência.

Quem ama é rico e isso basta
porque o amor em sua essência
é pérola que o coração engasta.

CANSEI

Não quero mais falar do amor.
De tanto que do amor falei
de tanto falar do amor, cansei

MAIS QUE UM BELO ANEL...

Mais que um belo anel
É preciso um algo mais.
É preciso que o riso
Desabroche no olhar antes do beijo
E que o beijo imprima leve e suave
Toda a intensidade do querer.
E porque não dizer que é preciso
Abaixar o olhar e olhar novamente
Com um carinho, assim derrepente.

É preciso caminhar de mãos dadas
Nas noite quentes de setembro,
Porque se bem me lembro
Todo grande amor começa assim.

Para conservar um grande amor
Mais que um belo anel
É preciso um algo mais.

É preciso um botão de rosa
Numa terça-feira sem porque.
Chocolates com licor
E um cartão que diga apenas. . .
“Eu te amo “.
E salvo enganos
Esses gestos que ternura
De afeto e de candura
É que conservam um grande amor.
Jardineiro em diurna lida
Do raiar do dia ao sol se por
Das flores faz o mistér da vida
Vivendo os momento do seu labor.

Amante das belezas da vida.
O poeta, eterno sonhador
Anima a pena esquecida
Compondo um poema de amor.

Um poema para que diz não crer
Nos anseios d’um coração que chora
Essa angustia que só faz sofrer.

Contudo, toda noite tem sua aurora
E o triste pranto que choro agora.
Será riso no alvorecer.

FENIX

No depois.
Nas ruínas da destruição,
pedaços aqui e ali do que foi outrora
uma ilusão quase real de amor.

Um pedaço de um beijo,
muitos abraços apertados.
pedaços de sonhos espalhados
ainda resistem ao tempo..

Lembranças empoeiradas
algumas juras de amor eterno,
algumas gotas do suor dos corpos,
algumas caricias esquecidas,
amareladas,numa caixa velha de saudades.

Um cupido torto e já morto
dorme no jardim sem flores.

Noites tristes, melancólicas
lua cúmplice,opaca, solitária..

Ruínas... começo da reconstrução da vida
alicerce da experiência entristecida

A duras penas no coração e na razão.
É preciso das cinzas renascer.

A PORTA

Preciso abrir a porta do passado,
para que você entre
ou para que eu saia.

DESAMOR

não é vingança concebida, não é.
é antes um não querer bem a quem se quer
Palavras mentirosas da ilusão
Inventada nos sentimentos a dois.

não é revolta incontida, não é .
é quase um sofrer de quem sofre realmente
Esse doer tão forte do sentir ausente,
lágrima escondida, para chorar depois.

não é para morrer, não é.
é quase a inércia de um coma depressivo
Essa estranha sensação de estar só
Que mal trata os amantes no depois.

não é mágoa reprimida, não é.
é antes uma verdade consentida de desamor.
É morte silenciosa de bem querer
presente na distância de nós dois.

CASAS ANTIGAS

Postes magros, lâmpadas tímidas
na rua das casas das janelas velhas
beirais esticam sobre as calçadas
aquelas antigas telhas enegrecidas.
mosaico de emoções escondidas
nos segredos de cada cômodo
de cada cama, de cada alma
em cada crucifixo dependurado
em cada quadro de Nossa Senhora
em cada olho do Nosso Senhor.

Na rua das pedras já tão gastas
escorrem o passado ali pisado,
escorregam lembranças, saudades.
uma história em cada bolero
paixões instantâneas, juras de amor.
Em cada beijo uma mentira.

Paredes tortas, portas coloridas
abertas escancaram ao pôr- do- sol
moças espremem os peitos na madeira
debruçam nas janelas... ilusões.

FOGO DE PALHA

nosso amor foi um fogo de palha
que o sol da manhã acendeu
e o sereno da noite apagou.

o unir de fios na malha
que a traça do egoísmo roeu
e a mão do bom senso soltou.

decididamente
na mesma casa que a gente
a felicidade não mora.

F A D O

talvêz um dia
um grande amor eu tenha
e quem sabe venha de Portugal.

quem em busca d’esperança o mar cruzou.
deixou o Tejo, Trás-os-Montes e Lisboa
e hoje canta um fado,
que é bonito embora doa
num peito só em terra estranha.

quem sabe um grande amor
eu tenha um dia,
que venha de Leiria, Trás-os-Montes ou Lisboa
e que tenha no peito uma coisa boa
essa coisa a toa
chamada amor.

um grande amor
quem sabe eu tenha um dia
e a poesia dos momentos ternos
una os elos dos corações carentes de nós dois.
pois.
nada mais triste existe
que um fado cantado só.

DO PRIMEIRO ENCONTRO

se bem me lembro há anos bem contados
numa manhã de setembro entristecida,
no universo da íntima procura escondida,
encontrei um tesouro dos mais procurados.

percebi a ambição secreta e proibida
na ternura dos meus olhares encantados
em ter aquele tesouro com seus dourados
naquele momento e para o resto da vida.

vi refletida em teus olhos a cumplicidade,
a mesma ternura e a mesma vontade
nos mesmos propósitos que eram os teus.

infeliz aquele que sofre com aquilo que sente
afinal, a vida não uniu a vida da gente.
ficou a saudade dos teus olhares nos meus.

SONETO DA PREMONIÇÃO

arrasta-se a vida pelo tempo algóz,
pelas horas que caminham perigosas.
as flores murchas e mal cheirosas
prenunciam a chegada do momento atróz.

apressa tic-tac as horas vagarosas
convença o tempo em caminhar veloz.
os soluços já me embargam a voz
no prematuro sofrer das horas pesarosas.

de que vale um viver de querer tão puro ?
se aqui me prendem as fortes bridas
do vil metal, pesado e duro ?

vem. apaga as chamas das ilusões queridas
enterre-as nesse vale imenso e escuro,
acabando com a dor das ilusões sofridas.

SONETO DA VERDADE

se da verdade questiono o conceito,
cultuo em mim o pensamento distinto
que a verdade é a razão, é o instinto,
os fatos da vida que eu aceito.

do amor, essência de vida em meu peito,
quem poderá dizer se é real ou se minto?
quem poderá julgar o que eu sinto ?
quem terá esse direito ?

não importa dos homens o julgamento,
o aplauso, o elogio, o exultamento,
o libelo, a crítica e a mesquinhez.

cabe ao Deus, ao senhor onipotente
a pena do castigo ou o perdão ingente
agora ou no dos final dos tempos. Talvêz.
O poeta não ama.
Pensa, sublima, ilusiona...
e quando o amor acontece
o amor poético que está muito acima...
não desce
à realidade do amor.

domingo, 30 de novembro de 2008

Se pintor eu fosse
pintaria o mundo de cor-de-rosa
e depois iria todo prosa
acordar você

Buenos Aires

En tarde gris
caminava por una vereda estrecha.
Cada paso un pedazo de angustia
cada piedra un dolor de soledad.
Portones negros cerrados de luto
miravan a mi caminar.
Llovia.. o entonces los arbolels lloravan
y por una vereda gris en una tarde estrecha
caminava un muerto
y yo
por las calles de Buenos Aires

Princesa

Cobrirei teus braços formosos
com preciosos adornos e teus contornos
com a seda mais pura.
Do Oriente distante trarei mirra e incenso,
a prata mais fina e o mais lindo corcel.
Flores, lindas flores coloridas
margaridas, violetas, bem-me-quer
serão tapetes para os teus pés delicados
e da Persia os mais lindos brocados
te servirão de descanso.
Vê a fúlgidas estrelas no translúcido azul?
São tuas.. dou-tas todas
Dou-te o céu, o mar e o perfume das flores,
os deliciosos odores que trescalam ao vento.
Dou-te a vida, os versos e o meu querer imenso,
porque as vezes penso
que nada tenho para dar-te.